promessas de Kassab, só no papel!

Folha de S.Paulo

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Principais promessas de Kassab seguem no papel

Eliminar a fila por vaga em creche e construir hospitais são algumas delas

Revitalização do centro e novo Plano Diretor também não avançam; plano de gestão aponta 21 metas cumpridas

JOSÉ BENEDITO DA SILVA
DE SÃO PAULO (FOLHA DE S.PAULO)

Transcorrida a metade do seu segundo mandato (2009-2012), o prefeito Gilberto Kassab (DEM) enfrenta dificuldades com algumas das principais promessas eleitorais.
Entre elas estão construir hospitais, expandir e requalificar corredores e terminais de ônibus, investir no Rodoanel e eliminar o “turno da fome” nas escolas e a fila de espera por vaga em creches.
No total, ele incluiu 223 promessas na Agenda 2012, o plano de metas do mandato. Destas, 21 estão cumpridas, sete nem iniciadas e 195 em andamento -que têm ao menos projeto, estudo ou local.
É nas promessas centrais da campanha, no entanto -aquelas levadas à TV, aos comícios e aos debates eleitorais-, que o prefeito patina.
A construção de três hospitais, por exemplo -uma das promessas mais importantes- segue no papel. Kassab tenta viabilizar uma parceria público-privada de R$ 6 bilhões para erguê-los em Parelheiros (sul), Brasilândia (norte) e Vila Matilde (leste).
Também no papel estão 50 ambulatórios odontológicos- 46 nem têm local.
O prefeito, porém, cumpriu metas importantes na área, como ampliar o Programa Saúde da Família e o número de ambulatórios de especialidades e psiquiátricos.
Nos transportes, Kassab vem atingindo a meta de renovar a frota de ônibus, mas, dos 66 km de novos corredores, nada foi feito. Também não saiu do papel a requalificação de outros 38 km. Dos oito terminais prometidos, apenas um foi construído.
O prefeito investiu R$ 700 milhões do R$ 1 bilhão prometido ao metrô, mas, dos 300 milhões para o Rodoanel, nada foi aplicado ainda.
Na área de urbanismo, metas importantes estão sendo cumpridas em remoção de moradores de áreas de risco e na urbanização de favelas. A revisão do Plano Diretor, porém, está travada na Câmara.

EDUCAÇÃO
Apesar da criação de 20,7 mil vagas, a demanda por creche, que era de 57,6 mil crianças em 2008, chegou a 100,4 mil no ano passado.
A prefeitura diz ser difícil achar terrenos, mesmo empecilho para o fim do “turno da fome” (11h às 15h), que afeta 39 escolas (7% da rede) -eram 66 ao iniciar a gestão.
“Há insuficiência de investimentos diretos em novas escolas e novos profissionais”, diz Salomão Ximenes, da ONG Ação Educativa. Com isso, afirma, a oferta não segue a demanda -de 2008 a 2010, o total de matrículas cresceu 19% e a fila, 74%.

CENTRO
Kassab pretendia fazer da recuperação do centro a principal marca da segunda gestão, como a Lei Cidade Limpa havia sido na primeira.
O maior projeto, porém, o da Nova Luz, enfrenta resistência de lojistas e teve duas audiências sob protesto. Os problemas que marcam a região, como falta de segurança e uso de crack, persistem.
Há, no entanto, várias intervenções em andamento, como a construção do complexo cultural Praça das Artes (Anhangabaú), a requalificação da praça Roosevelt (República) e a reforma de prédios históricos na Sé.
O balanço é “”positivo” para Marco Antônio Ramos de Almeida, superintendente da ONG Associação Viva o Centro. “A recuperação do centro é um processo. O importante é ter continuidade.”

CHUVAS
As enchentes, hoje um dos principais problemas da cidade, não foram um tema central na eleição. Kassab falou em criar parques, plantar árvores e limpar córregos e bocas de lobo -essas metas vêm sendo cumpridas.

Fonte: Folha de S.Paulo, 09/03/2011

autoritarismo, deu no que deu

ontem a noite na mesa de um bar, bebendo minha cervejinha entre amigos no interior paulista coloquei exatamente este ponto em discussão  - o autoritarismo na seleção de Dunga.

expus meus pontos de vista, de que nosso técnico é de um tempo que não existe mais – impôs uma ditadura na seleção com o discurso de “vamos blindar a seleção”.

visivelmente víamos jogadores antes calmos e simpáticos como Kaká, Julio César entre outros irritados com todos os jornalistas, sendo eles brasileiros ou não… reflexo do que havia internamente na concentração.

hoje ao abrir a Folha de São Paulo me deparei com este editorial de Jânio de Freitas que expõe exatamente o que comentei ontem.

por isso fui contrário ao movimento anti-Globo (que aliás não vingou), no episódio dos xingamentos que vimos na semana passada na TV e aos que defenderam Dunga foram precipitados, ou movidos pela paixão anti-Globo…  que praticava apenas jornalismo (neste caso).
Sim, o destino mostrou que nosso ex-técnico é muito Burro e alguns movidos pela paixão quebraram a cara.

Jânio de Freitas para Folha de São Paulo de hoje, 04/julho/10.

A pátria sem chuteiras


A prioridade de Dunga não era a seleção, eram considerações particulares. Impostas a partir do poder

A SELEÇÃO DUNGA trouxe à tona um remanescente, na vida brasileira, de que o país tanto deveria se livrar quanto se recusa a encarar. Tudo na seleção, desde o primeiro momento, baseou-se em um exíguo corpo de ideias, e consequentes práticas, que caraterizam o mais deslavado autoritarismo. Era a velha e sempre viva regra: contra a liberalidade descontrolada, não a busca do equilíbrio, mas o autoritarismo.
No estilo anos 30 do século passado, o instrumento simbólico foi o patriotismo (com ou sem aspas). Os chamados à seleção seriam os que Dunga considerasse “dispostos a defender a seleção brasileira com todos os sacrifícios”. Se assim foi o começo, no fim derrotado Dunga exaltava “esses jogadores que ficaram 52 dias distantes de tudo”. Proibidos de contato com a vista do seu público, proibidos de conversar com jornalistas, proibidos de reunir-se a familiares, proibidos, proibidos. Os 52 dias não foram de concentração, foram de repressão de uma parte e sujeição passiva de outra.
Exigência que Dunga estendeu à imprensa, posta, com bastante passividade, sob a boçalidade como tratamento pessoal e a censura como prática, nas proibições ao trabalho habitual de reportagem e na exiguidade das informações permitidas à população ansiosa. Autoritarismo explícito, na forma mais sentida pela imprensa, e nem por isso mais intolerada. Críticas houve, sim, cautelosas e superficiais; reação, nenhuma. Nem quando Dunga investiu, ao vivo e em cores, contra um comentarista equilibrado, competente, sempre bem humorado e educado, Alex Escobar, nem aí houve sequer um mínimo ato representativo de repulsa ao autoritarismo.
Dunga brindou-se como um ser coerente e foi consagrado como tal, nas ressalvas incluídas pelos críticos às próprias críticas. Ficou dado, assim, um novo nome para a prática da injustiça. Na concepção “coerente” de Dunga, de nada valeram o esforço e o mérito de ser o melhor ou estar melhor. Se jogadores caídos na reserva em seus times são chamados a preterir jogadores em fase de excelência, que seleção é essa? E o que significa para os preteridos? E com que autoridade representa o estágio verdadeiro futebol do país? Apenas valeu o voluntarismo autoritário.
Neste sentido, Dunga fez uma síntese exemplar, quando explicou a convocação de um jogador que está como terceiro goleiro no seu time: “Quando eu convoquei o Dani da primeira vez, ele veio contra a vontade do técnico dele e por isso foi posto na reserva quando voltou pra lá. E o que os outros jogadores iam dizer agora? “Olha o que o Dunga fez com ele…’”. A prioridade não era a seleção, no sentido esperado, eram considerações particulares. Impostas a partir do poder. Não da coerência, do reconhecimento justo e dos deveres da função.
A todas as críticas, ou ao que sua visão paranóide tomou por tal, Dunga ofereceu como contraste a devoção e a entrega dos seus cativos à pátria. Não por acaso, na hora de partir para a cruzada patriótica a seleção fora receber a bênção do primeiro mandatário e de sua mulher devidamente paramentados em verde e amarelo.
Mas brasileira é que a seleção não foi, nunca. Futebol fosco e tosco, de gente insegura e desnorteada ante a possível adversidade, nenhum momento de brilho verdadeiro, jamais um encanto de brasilidade. E um histérico à beira do campo ao ver que seu autoritarismo não transpunha fronteiras. Tudo não passou de uma manifestação a mais, e inconteste, do autoritarismo persistente na vida brasileira.

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