Obama no Brasil, marcando território

não quis escrever logo de cara porque queria ver no que ia dar a visita de Obama ao Brasil.
a mim me parece que o líder veio mais a passeio do que por qualquer outro motivo…
claro que os americanos nunca dão ponto sem nó (sabiamente), por trás de tudo isso está a vontade de uma nova postura mais próxima ao Brasil e seu novo governo do que a que tínhamos no governo recém terminado.

 

Chegada Romana a Alexandria

Chegada de Navios Romanos a Alexandria

voltando um pouco no tempo, esta visita me lembrou a visita de César (o Júlio César) ao Egito em 47a.c.
naquela época o mandatário supremo do mundo César (hoje Obama) também comandava uma nação que era a maior do mundo sem sombra de dúvida, era a mais potente economicamente, politicamente e não deixava nenhuma dúvida quanto ao seu poderio militar.

César comandava uma Roma que passava por uma das piores crises internas, era um país dividido politicamente (em guerra civil praticamente) e economicamente em crise, cenário atualmente semelhante ao da América pós crise de 2008, e porque não de um certo modo dividido entre o centro Republicano e as costas Democratas.

O Egito era a fonte da riqueza, tinha o trigo que Roma tanto precisava, tinha o ouro e o poder regional (algo como a influência na América Latina e o pré-sal), mas ao contrário do Brasil, já era uma nação totalmente dependente de Roma, inclusive ocupada militarmente.
Hoje vivemos um mundo mais globalizado e cheio de “opções” o que permite ao Brasil não ter exclusividade comercial com nenhuma nação.

Roma desejava ainda manter todo o Mediterrâneo (o mundo ocidental da época) sobre seu poder, semelhanças? a final sabia que tinha uma oposição forte e crescente no Oriente (a Pérsia), hoje a China.

Não é atoa que a China já é o maior parceiro comercial do Brasil, ultrapassando há poucos anos os USA que dominavam este mercado há décadas.
antes de voltar aos dias atuais uma última comparação, ou coincidência, por que não… o Egito também era comandado por uma mulher, raro na época, não menos raro nos governos atuais.

mas voltando, mesmo influenciado pelo aparato de segurança que acompanha a movimentação do líder americano (ahhh vale lembrar que César também caminhava com milhares de militares e navios), nas vésperas de sua visita o Brasil, nós mantivemos  a independência ao se abster na votação do Conselho de Segurança na ONU no caso da Líbia, mantendo assim uma tradição que décadas pelo zelo a paz e pela opção por vias diplomáticas.

posição do governo Dilma inclusive apoiada por membros importantes da oposição como Serra (em seu twitter) e de FHC, que aqui cabe um parênteses – foi muito gentil e elegante (como sempre) em aceitar o convite  do governo brasileiro para se sentar na mesa principal do almoço oferecido ao mandatário norte-americano e não menos gentil foi o gesto da presidenta em convidá-lo, aliás esta se mostra muito mais sensata e capaz que seu antecessor, o vaidoso Lula.

Vale lembrar que a opção por abstenção não quer dizer aceite em defesa do ditador líbio e sim uma ressalva ao uso da força militar e ainda junto ao Brasil votaram Alemanha, Rússia, China e India.

Para terminar este gancho do CS não creio que esta seja a prioridade brasileira atualmente, mas em caso de reforma na ONU vejo sim Brasil, Alemanha, Japão e India como únicos e merecidos a cadeira permanente neste conselho.

 

Obama e Dilma em Brasília

Obama e Dilma em Brasília

ao final das contas Obama veio aqui para que? veio para reaproximar os americanos dos brasileiros, veio buscar apoio, veio lembrar a nós que eles ainda existem, que eles ainda são a grande potência mundial… veio marcar território como fez há pouco tempo na India e estão certos?
sim estão! desde sempre vivemos separados pelas culturas ocidental e oriental.

a visita do líder norte-americano antes da líder brasileira a Washington mostra que o governo americano fez o primeiro gesto, estendeu a mão uma mudança na atitude americana que deve ser levada em consideração.

Outros:
Obama levanta a nossa bola (Brasil 247) http://t.co/q7Vqx5R
Saiba o que traz Obama ao Brasil (Folha de S.Paulo) videocast
Dilma Rousseff convida ex-presidentes para almoço com Obama (GloboNews) http://migre.me/44XKG
Chegada de Julio Cesar a Alexandria (Cleopatra, 1963) http://www.youtube.com/watch?v=pzruB19CFgI

Sinais da reviravolta @ Folha de S.Paulo

resolvi re-publicar esta coluna da Folha de hoje porque realmente é o que penso; Existe uma grande questão a ser respondida pelos tucanos ligados a Serra: A que viemos?

JANIO DE FREITAS/Folha de S.Paulo

Sinais da reviravolta


Resta a Serra introduzir alguma perspectiva capaz de seduzir aspirações frustradas do eleitorado

A COINCIDÊNCIA DOS programas de propaganda eleitoral, a se iniciarem nesta semana, com a ultrapassagem de Dilma Rousseff sobre José Serra agora constatada também pelo Datafolha, oferece duas deduções.
Quanto a Dilma, mais significativa do que a conquista da liderança, cedo ainda, a propaganda de TV e rádio é a oportunidade de forçar a continuidade do seu impulso atual e, com uns poucos pontos a mais, alcançar logo a indicação de vitória no primeiro turno.
Essa condição funciona, em geral, como atrativo de votos mais numerosos e mais protetores. É o que se dá, a esta altura, com Eduardo Campos e Sérgio Cabral, com suas crescentes possibilidades de vencer em Pernambuco e no Rio no primeiro turno.
Para Serra, fica evidente que está em sua última oportunidade, ou muito perto dela, de indicar ao eleitorado o motivo de sua candidatura. Que sentido tem, afinal? O que Serra pretendeu a ponto de deixar o governo de São Paulo para lançar-se na disputa pela Presidência?
Sob o peso da aprovação popular de Lula, o próprio Serra diz que não é candidato de oposição, e de fato não se mostra como tal. Adversário da candidata do governo, também não é governista. Logo, o que lhe sobra é uma fímbria pela qual introduzisse algo novo, uma perspectiva capaz de seduzir e convencer aspirações frustradas do eleitorado.
Mas nem vislumbre de alguma ideia assim, até agora. Trata-se de uma candidatura que não se sabe o que representa nem o que pretende além de uma intenção pessoal.
As pequenas lantejoulas que revestem a candidatura de Serra, do tipo “vou duplicar o Bolsa Família” (sem ao menos explicar se em valor ou em beneficiados), ou “vou criar o Ministério da Segurança”, “vou restabelecer os mutirões da saúde”, e outros “vou” que não chegam a lugar algum, prestam-se a ampliar a impressão de vazio dada na improdutiva preferência de sua campanha pelos minúsculos corpo a corpo.
Ocupar-se tanto em criticar Dilma por estar “na garupa” de Lula? Serra e seus marqueteiros poderiam perceber que assim só confirmam o que é a principal bandeira de sua adversária. Façamos justiça: a candidatura de Dilma e seu êxito são produtos de Lula, como Gilberto Kassab foi de Serra, mas o PSDB e seu candidato não têm regateado facilidades e outras colaborações à candidata governista.
O horário eleitoral traz em ocasião oportuna um recurso que tanto pode ser decisivo para Dilma como para Serra. Os três minutos a mais no tempo da aliança petista não alteram a equivalência das oportunidades: em TV e em rádio, sete minutos – tempo de Serra – já são um arremedo de eternidade.
Oneroso, nesse item, é o minutinho de Marina Silva, cujo sucesso nas palestras não se reproduz em mais do que 10% dos eleitores pesquisados, mas talvez o fizesse, em boa parte, com maior tempo de TV. O horário gratuito segue a regra fundamental brasileira: mais renda concentrada em quem já a tem alta.
Para preencher o tempo até o início da nova fase de propaganda, uma boa especulação é a das causas da queda forte de Serra, quatro pontos em três semanas, e do grande ganho de Dilma, com os cinco pontos que a elevaram a 41 contra 33. O debate na Bandeirantes e as pequenas e ruins entrevistas na Globo não convencem como causa de tamanha reviravolta, até porque já insinuada, antes dos programas, em outras pesquisas.

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