1808


após um longo período acabei neste final de semana de ler ao 1808, bom livro de Laurentino Gomes.
a demora se deveu a uma longa pausa que fui “obrigado” a fazer por falta de tempo, mas voltando a obra o autor soube reproduzir com uma riqueza de detalhes o Brasil e Portugal do século 19.

o motivo deste post é compartilhar com vcs alguns pontos importantes que foram decisivos para a formação desta nação chamada Brasil e que ainda hoje refletem em nossa forma e jeito de pensar.

gosto de ler este tipo de livro porque antes de mais nada me ajuda a entender os costumes dos brasileiros, a entender do porque somos assim.

Napoleão Bonaparte
Napoleão Bonaparte

Napoleão
primeiro ponto importante a ser destacado é que o Brasil deve sua independência, sua identidade como nação, seu tamanho territorial a um homem que provocou e desencadeou tudo isso – Napoleão Bonaparte, sim o francês.
foi graças a sede de vitória e expansão do império Francês que Portugal olhou para a longínqua terra brasilis.

A invasão francesa foi derrubando todos os reinos europeus, um a um, a última barreira era a Espanha que não se rogou e capitulou; foi conivente com os exércitos de Napoleão e com isso as portas se abriram para os franceses que escalaram o inexperiente (mas amigo de Napoleão) general Junot a invadir Portugal.

Ás vésperas da invasão os portugueses e os sempre “leais” ingleses planejaram o abandono do reino – em poucos dias as Armadas Britânicas e Lusitanas planejaram, a transferência da corte para a América do Sul.

Mudança para o Brasil, o Brasil mudando.
A fuga foi as pressas, a corte portuguesa “saqueou” Lisboa levando ouro, pratarias, livrarias, obras de arte e tudo o que cabia e não cabia nos navios que partiram rumo a Salvador, para se ter uma idéia, na fuga vieram 15 mil portugueses ligados a corte.

Até então o Brasil era uma terra de ninguém – era um “ajuntamento” de províncias que se auto-governavam, mal se falavam; não haviam muitas estradas ligando as capitais, não havia identidade, não havia orgulho, não havia nação.
Tudo era controlado de longe por Lisboa, não haviam direitos, juízes, leis… constantemente as cidades eram atacadas por tribos indígenas, o povo era na maioria escravo importados da África, não haviam bancos, faculdades e escolas, não haviam médicos.

Portugal entre 1500 e 1808 tratava o Brasil como uma simples grande zona exploratória, os navios só vinha aos portos para recolher ouro e outros produtos nativos e trazer escravos e aventureiros.

A chegada de D. João VI fugido de Portugal, protegido pela Inglaterra iria transformar o Brasil em um País.

Portugal esquecido, queda francesa.
Como o livro e a história retratam, o mais fracos dos reis europeus mereceu de Napoleão, quando este já preso em Elba no final de sua vida, a única menção honrosa – “foi o único monarca que me enganou”.

A fuga pegou a França de surpresa, e causou a ira dos portugueses que se viram abandonados pelo dirigente – Portugal iniciaria um dos períodos mais sombrios de sua história, um dos maiores extermínios foi cometido nas terras portuguesas – milhares de portugueses foram mortos pelas tropas francesas durante o período de ocupação.

É bem verdade que houve resistência, a França pela primeira vez enfrentaria o que chamamos hoje de guerrilha – portugueses e espanhóis criaram no interior da penínsulas verdadeiras emboscadas as tropas francesas, diz-se que Portugal e Espanha foram para a França o que o Vietnam foi para os Estados Unidos na década de 70 e estes movimentos minaram o poderio Frances, uma vez que Napoleão precisou realocar forças que lutavam contra a Rússia no leste, o que acabou enfraquecendo os dois lados do combate e iniciou o declínio Frances.

D. João e Carlota Joaquina
D. João e Carlota Joaquina

D. João
Voltando ao Brasil, quando os 15 mil português aportaram no Rio de Janeiro e Salvador não havia nada, como dito anteriormente, tudo precisava ser criado, e foi criado as pressas, em exatos 13 anos.
É bem verdade que a corte não vivia no luxo europeu, a falta do luxo aliás é retratado por vários visitantes do velho continente ao Brasil no período, seja na corte seja no dia a dia das pessoas.
A precariedade do saneamento básico também é destacada diversas vezes, bem como a falta de cultura, de teatros e suas companhias, tudo precisava ser criado e/ou importado… mas o chamado bonachão Príncipe Regente D. João IV, apesar de todas as mazelas da corte, de todas as deficiências administrativas e internas foi capaz de iniciar a identidade brasileira.

Sem D. João o Brasil não seria o país que é hoje, do Rio Grande ao Amazonas, do Rio ao Mato Grosso, o 5º maior país do mundo, ocupando 40% de toda a América Latina.
Seriamos muito provavelmente, um pais destroçado, ramificado em várias nações de língua portuguesa, como ocorreu na América espanhola.
Em compensação a corte portuguesa também nos trouxe a fama portuguesa do jeitinho pra coisa acontecer e funcionar, trouxe a corrupção e o favorecimento de alguns; Em 13 anos de estadia no Brasil a corte nomeou mais barões e condes do que em todo os 500 anos anteriores do Reino de Portugal e Algarves.

Também foi nesta época que se iniciou o ciclo de dependência junto a Inglaterra – custou caro ao Reino de Portugal a fuga para o Brasil, em troca da transferência e proteção o reino abriu os portos brasileiros a navios ingleses acabando com o monopólio de Lisboa, produtos ingleses e franceses invadiram o Brasil e desde então a Inglaterra teria influencia decisiva na vida brasileira até o surgimento das atuais potências mundiais do pós guerra (1945).
É bom lembrar que o Brasil, anos mais tarde, comprou sua independência; O reconhecimento da soberania verde-amarelo veio diante da transferência da dívida que Portugal tinha junto a Inglaterra para o Brasil, foi o preço pela opção não armada do conflito.

Ainda sobre 1808 é bom relatar que D. João apesar da fama de desleixado e bonachão, soube lidar com uma corte corrupta e com verdadeiros inimigos internos, Carlota Joaquina tentou por diversas vezes derrubar o Príncipe e assumir o trono, D. Maria (a rainha) era incapaz e louca para governar, vivia isolada e com todos estes revés e outros tantos, ainda soube conduzir o novo País, virgem, sem cultura, sem infraestrutura, sem luxo, chamado Brasil.

1808
1808

Foi o único rei europeu a comandar um reino diretamente das Américas, conduziu a única corte a sair da Europa em toda a história da humanidade, foi o único rei a enganar Napoleão.

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