3500 anos depois, a Grécia voltou a ser o centro do mundo


Mais uma vez, alternando entre momentos de apogeu e crises sem fim, os gregos fazem de novo jus ao termo “tragédia grega”.

 

Desta vez a crise econômica que assola a península helênica parece não ter fim e a luz no fim do túnel parece estar cada vez mais distante.
No inicio de 2010 os gregos fecharam um acordo bilionário com o FMI, avalizado pela cambaleante União Européia, de 110 bilhões de euros; Vale lembrar aqui que o Brasil, no auge da sua dívida externa junto ao mesmo FMI devia 150 milhões de dólares (anos 80-90).

 

Alguns números antes de continuarmos …
Grécia   PIB US$   412,521 bilhões (31º)    per capita US$ 36.983 (17º)         IDH 0,855 (22.º) – muito elevado.
Brasil    PIB US$ 2,100 trilhão (7º)             per capita US$ 11.300 (70.º)       IDH 0,718 (84.º) – elevado.

 

 

Não contente com o montante, a primeira parcela de 8 bi deveria ter sido paga em setembro de 2011… e em meio a greves e a quase total estagnação sócio-política que varre o país, o premiê ainda sugeriu que o antes acordo firmado antes, precisava ser aprovado internamente pelo povo; algo do tipo, chegamos ao acordo com o banco agora preciso ver lá em casa se a patroa deixa (?).

O resultado, em 03 dias as bolsas européias e mundiais despencaram, e expuseram mais uma ferida da grave crise européia.

República Helênica
República Helênica

 

A Grécia assim parece viver seu segundo grande período das Trevas. O primeiro, ocorrido em 1.200 AC foi devastador, pegou uma Grécia desunida (como agora), rural e desprevenida, não muito diferente do que vemos agora… a Grécia tem 15% do seu PIB dependente do turismo.
Naquela ocasião a “nação” praticamente deixou de existir, seus palácios e suas cidades foram abandonados e a língua deixou de ser escrita, os gregos se separaram fisicamente e foram viver no campo, isolados, graças a invasão bárbara vinda do norte promovida pelos fortemente armados dórios.

Agora a crise não veio das armas, mas do dinheiro, ou da falta dele, vinda do outro lado do oceano, de uma América inflada pelas penhoras imobiliárias.

 

No passado a Grécia levou quase 400 anos para se reerguer e influenciar todo o mundo ocidental.
Ao final do período das trevas gregas surgiram as primeiras cidades-estados, as olimpíadas (776 AC), os primeiros movimentos renascentistas, que culminaram nos poemas de Homero, nos grandes pensadores como Sófocles e Eurípedes, na matemática de Euclides, e em tantos outros filósofos/pensadores como Sócrates, Platão, Homero, Aristóteles, Péricles e por ai vai… isso tudo sem falar no grande líder de todos os tempos, Alexandre o Grande.
Agora não temos tanto tempo e muito menos tais líderes e/ou pensadores… só temos “políticos” como George Papandreou, Antonis Samaras, Lucas Papademos…

Os americanos já não tem tanto dinheiro e poder como tinham no pós-guerra, quando salvaram a Grécia do período de domínio nazista; Agora o discurso e a ajuda vem do continente europeu, vem da França de Sarkozy e da Alemanha de Merkel, vem do dilema europeu “vamos salvar os gregos e mostrar uma UE unida e forte ou deixar que saiam da zona do Euro expondo nossas fragilidades ?”.

Os gregos estão mais uma vez desunidos, como estiveram tantas outras vezes nas trevas antes aqui citadas ou nas guerras médicas e do Peloponeso, que só contribuíram para períodos de servidão externa, hora para os romanos ou otomanos ou ainda mais recentemente para os nazistas.

 

Os desunidos gregos poucas vezes conseguiram se unir em prol de algo comum, como na independência de 1829 ou nas olimpíadas de Atenas em 2004, foram talvez ingênuos e iludidos ao aderirem a uma Comunidade Européia onde se apoiaram nas promessas de crescimento de um continente sem se importar com o falso crescimento interno e mais uma vez foram também incompetentes ao permanecerem desunidos mais uma vez.

Estádio Olímpico
Estádio Olímpico

Fora a desunião, a falta de sustentabilidade  é o grande motivo da atual crise européia; Nações se sustentaram em uma união alavancada por uma Alemanha e não se reestruturaram para um crescimento auto-sustentável.

Correm o mesmo risco dos gregos os portugueses e espanhóis e numa escala um pouco menor os italianos, estes últimos mais envoltos em uma bolha financeira do que na falta de estrutura.

 

A conta da ilusão do crescimento e das olimpíadas de 2000 chegou…  e chegou bem cara para os gregos.

Fazem somente 10 anos que os gregos aderiram ao Euro é muito pouco tempo para um estrago tão grande.

Independente de bolhas e crises externas a união de um povo de uma nação é essencial, mesmo com desavenças naturais e administráveis, esta é a grande vantagem dos americanos republicanos e democratas, dos britânicos conservadores e trabalhistas e nós aqui do Brasil não podemos repetir a tragédia grega da desunião que tem sido exposta nos últimos anos, mesmo em períodos de crescimento, como o que vivemos, constantemente vemos sinais políticos e sociais de separação, seja em Brasília ou na nossa cidade os cidadãos não tem tido mais vergonha de se mostrarem apartados.

Me pergunto como será em um período de vacas magras se no de vacas gordas já estamos assim.

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